a incrivel historia do escritor partido ao meio

 

A incrível historia do escritor partido ao meio

 

Capítulo 1: O Começo

 

Sua vida era marcada por uma paixão inabalável pela literatura. Com seis anos já sabia ler, capacisdade que seus avós lhe eram desde tão cedo   com todo o amor do mundo. Seu avô dava-lhe livros, o que na época era uma espécie de raridade e iguaria intelectual. Sonhando em criar suas próprias histórias, aos treze anos ele caminhava pelas ruas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do estado de São Paulo, havia conseguido um emprego de office boy, o que na época significava levar correspondências de um setor a outro da grande instituição por ruas internas. Gostava tanto de escrever que confeccionou uma pequena brochura com folhas de papel sulfite e uma capa de papelão verde. Ali, escrevia com letras que mais pareciam garranchos enquanto andava para entregar envelopes em cada repartição.O livro verde era como um diário. Ele escrevia impressões suas sobre a vida. Ficava as vezes travado numa frase, sem saber por onde sair daquele labirinto de palavras que ele mesmo criava. Tentava explicar coisas e as vezes não sabia que palavras usar para se expressar melhor. Frequentemente falava com Noemia, e com Marina que eram suas chefes na repartição onde trabalhava e reclamava que queria explicar coisas que não sabia como explicar...Noemia riu ao ver seu caderninho com capa verde e fixo com grampos de um grampeador comum de escritório. Marina logo interviu:

--Noemia, disse num tom sério, O que vemos aqui é o projeto de um escritor. Isto que você esta vendo é só um esboço não de um livro , mas de vários que virão com o tempo e aprendizado. Esse garoto tem futuro, será um escritor best seller, você vai ver.

E virando –se para Miguel disse:

E você , eu sei do que está falando. Eu sei porque eu leio muito e  sei que você gosta de elr também. Então vou lhe dizer: Leia muito. Quem lê livros acaba sabendo explicar o mundo. Já quem não lê nem tenta explicar nada

-Obrigado Marina pelo conselho. Faz muito sentido pra mim. O Edson Nepomuceno, por exemplo, meu colega de trabalho, Vive lendo livros do Lobsang Hampa e sempre que converso com ele eu aprendo muitas coisas. Eu já leio bastante, mas vou ler mais ainda para aprender como explicar as coisas que eu desejo.

Alguns anos depois ele passou a trabalhar na Eletropaulo. Sua divisão do IPT, o PauliPetro fora um consorcio entre IPT e CESP. Que era uma companhia de eletricidade em São Paulo. Nesta nova empresa Havia um festival de musicas e ele logo se inscreveu. Sabia tocar violão e escrevera algumas letras . Nesta época estava estudando num cursinho em osasco, cidade próxima a São Paulo e , Lá haviam colegas de classe que gostavam de musica. Isabel tinha uma voz linda e cantava musicas do Beto Guedes lindamente. Gildo, o irmão de Isabel , Tocava Flauta transversal e Miguel sempre levava seu violão ao cursinho e, nos intervalos, estava la sempre tocando e cantando com Isabel e Gildo.

Propôs então formarem um conjunto e participarem do concurso de musica da Eletropaulo.Haveria premiação em dinheiro. Os colegas ficaram radiantes com a proposta. Cantar e ainda ganhar dinheiro pra isso, seria muito, mas muito interessante.  

No setor da Eletropaulo em que Miguel trabalhava, todos deram apoio, só alguns chefes idiotas que ele tinha a infelicidade de encontrar na agencia Osasco da Eletropaulo tiravam sarro dele e riam dizendo que ele ia se dar mal pois não tinha nenhum talendo para musica. Nesta agencia ele entrou numa discussão com o chefe porque o ser abjeto , esse chefe nojento, maltratava e fazia chacota de um colega seu , um rapaz negro que trabalhava como um cavalo puxando todas as rotinas da agencia. Era uma injustiça com seu amigo, que Miguel não poderia aturar aquilo. Foi então transferido para um outro setor, onde o chefe era um homem muito gente boa, chamava se Pio. Pio soube da historia e não deixou que mandassem Miguel pra rua. Chamou o rapaz para trabalhar no seu setor. Era um setor tranquilo onde  Miguel só iria datilografar alguma requisições de material para os caminhões saírem para a rua a concertar instalações elétricas.

Chegou o grande dia da apresentação da sua nova banda. Ele havia inscrito duas musicas . Eram letras que falavam sobre algumas mazelas da sociedade da época. A musica que atingiu o primeiro lugar foi uma sobre as luzes. Dizem que tudo o que vemos são luzes refletidas em coisas. Não vemos as coisas, mas as luzes que as coisa refletem. 

Comemorou muito com sua banda, ganharam um bom dinheiro como premio.

Com o tempo Miguel percebeu que não iria muito longe com a musica. Talvez pudesse ir mais longe com aliteratura. Eram dois lados de sua personalidade. Musica e literatura. Teria que escolher um dos dois caminhos para seguir. Com o tempo foi estudar em outra escola e sua banda se desfez, sumindo cada um para o seu lado. Mas para Miguel era só a vida que mostrava sua impermanência. Algumas pessoas em nossa vida são como canoas. Só nos ajudam a travessar um certo rio e, depois que atravessamos, deixamos elas onde termina a travessia e nos despedimos. Porque levar uma canoa nas costas até precisar dela novamente? Não faz sentido. Sendo assim, Miguel continuou a escrever seus tectos cada vez melhor porque a medida em que lia mais, ia ganhando nosvas maneiras de contar coisa e explicar o que queria.

Contudo os textos que escrevia, Miguel sempre guardava para que um dia voltasse a eles para completa-los e corrigi-los. Só que isto nunca ocorria. Ele escrevia pra se aliviar de todo tipo de pensamento que tinha. Era como uma oração. Escrevia para simesmo. Sem ter a intenção de fazer grande sucesso com o que escrevia. Sabia que o mercado editoria era um mercado fechado , havia que se ter algum patrocínio e apadrinhamento para que a carreira de escritor pudesse decolar. Mas, sobretudo ele sabia que era um escritor. Amava escrever e é isso que um escritor faz, independente do resultado financeiro que isto possa significar.

Miguel , no entanto, nunca deixou de sonhar. Viveria como escritor em alguma época de sua vida . mesmo           que demorasse, isto estava predestinado a ele. Tinha certeza.

Certo dia Miguel entrou num café que ficava em uma esquina conhecida de são Paulo por ser um café onde se encontravam escritores e editores.

Sentado do lado de fora do café, lendo um romance, Ficou por um tempo pensando se entrava ou não. Afinal ali dentro poderia ter alguém que mudaria seu destino .  Quem sabe um editor Que lesse ao menos uma de suas historias  e lhe desse uma direção ou um caminho.

De dentro do prédio da livraria que ficava em volta do café saiu um homem, já dos seus trinta e poucos anos e olhando direto para Miguel Disse: Por acaso você é um escritor?

Miguel se perguntou como ele poderia saber. Mas imginou que seria porque ali se encontravam vários escritores e editores para conversar num ambiente propicio que era uma livraria central.

-Sim, sou escritor... Como sabe?

-ah , meu caro, sou editor, um editor conhece um escritor quando avista um a meia légua...disse o homem que o abordara

Miguel pensou que era algo de seu destino, encontrar ali com um editor, um semideus que poderia realizar seus sonhos.

-Vamos entrar?, convidou o editor. Seu nome era Mamon, disse em seguida.

Mamon? Pensou Miguel, o deus do dinheiro? Como podia uma mãe dar um nome destes a um filho?

Bom, mas ao menos se ele me levar até onde eu quero, seu nome pode ser até zé oréba que tudo bem.

Vamos entrar sim, quero conhecer o café.

Mamon o levou pela livraria toda mostrando edições incríveis de Varios tamanhos e cores. Lindas edições contando historias de grupos de rock e outras mais.

Sentaram-se numa das mesas do café e Mamon começou a conversa.

- Como escritor, você deve ser novo, pois eu, que estou no circulo dos editores a tempos não o conheço.

Miguel respondeu.:

-Na verdade, eu só escrevo, não tenho nenhum livro publicado, embora tenha vários escritos.

-Otimo, precisamos de gente que escreva mesmo, muito.

e presumo que você queira ter um livro editado e impresso por uma boa editora.

--Claro que sim, respondeu Miguel, já pensando em viagens e grandes coisas que poderia fazer com o patrocínio de uma editora que impulsionasse sua carreira.

Tinham se sentado próximo a uma janela de onde dava para ver a rua, cheia de transeuntes para todos os lados e uma chuva forte começou a cair enquanto a conversa continuava.

Mamom , pensou um pouco e disse com um olhar direto nos olhos de Miguel:

-Minha editora gosta de ajudar novos escritores, Nós lançamos vários de várias formas. Então vou dizer pra você que escritores não enriquecem e nem ganham bem. VocÊ sabe quanto do valor de um livro que custe, por exemplo: 100 reais, uanto disto um escritor recebe por venda?

-Não tenho idéia. Respondeu Miguel

- Então vou te dizer com a certeza de editor que consegui ao longo da minha extensa carreira explorando este mercado. 10 por cento é um numero alto , pois a maioria das editores pagam apenas 6 a 7 por cento do valor da venda para o escritor. Ou seja, você teria que vender um milhão de copias a 100 reais, que é um preço proibitivo pra muitos leitores, para poder pensar que ganharia algum dinheiro com essa profissão e esse livro. Agora eu pergunto? Você é um Hamingway? Ou você escreveu um clássico de Cervantes ou algo assim? Não?

Então para complementar eu te digo...Se você está chegando agora não pense que vai sentar na janela. Eu sei, é cruel, é um gancho de esquerda direto no seu peito, mas a verdade nua e crua é esta.

Porém, há um caminho que posso te mostrar.

Neste pondo Miguel já estava preocupado com o que viria. O nome do homem já indicava que ele tinha cifrão nos olhos.

Mmiguel quase perguntou,e vocE^sabe atrás de quantas editoras Cecilia Meireles correu atrás? Sabe que ela já escreveu contos em troca de comida em suas piores horas de escritora? mas só pensou, achou melhor não desafiar o homem:

Mamom contou coisas de sua vida, Disse que trabalhou nas melhores empresas de marketing. Durante seu discurso Miguel pensava em como sairia daquele encontro com uma realidade brutal e excludente para pessoas como ele.

No fim da conversa Mamon lançou a proposta:

--Minha editora tem a seguinte proposta para você. Iremos financiar uma série de 10 viagens para você , sua tarefa é escrever um livro a cada viagem. Você não poderá levar ninguém juno com você, ficará em ótimos horteis em algumas viagens e poderá ficar em hotéis não tão bons em outras. Mas, tudo o que tem que fazer é escrever um livro por mês. Lançaremos uma série de dez livros escritor por você. Nós faremos o marketing, e cuidaremos da distribuição, tudo o que você tem a fazer é escrever. Edição, capa, contracapa, nós escolhemos sem negociação. Nós lhe daremos o tema do livro e você vai desenvolver segundo diretrizes que nós lhe daremos. Serão viagens para países diversos e tão desconhecidos como o nepal, tibet e outros. Agora, eu te pergunto:

-Neste momento Miguel tremeu nas bases pensando que a pergunta seria conclusiva , para sua carreira e sua vida. Ele mesmo se perguntou. Teria ele criatividade o suficiente para escrever um livro por mês. Nunca tinha parado um mês apenas para escrever. Seu texto mais comprido tinha 80 paginas

 

 Se sentia como se estivesse preso em uma moldura, incapaz de se libertar das expectativas dos outros e de suas próprias inseguranças. Uma noite, enquanto escrevia sob a luz suave de uma lampada, Miguel teve uma ideia que o levaria a um desfecho inesperado. Ele decidiu que sua próxima obra seria uma autobiografia, onde contaria não apenas suas conquistas, mas também suas lutas internas. O título seria "Partido ao Meio", e a ideia era explorar a dualidade que habitava sua alma: o escritor que todos conheciam e o homem que ele realmente era.

 

**Capítulo 2:

 

A Revelação**

Conforme Miguel se aprofundava na escrita, ele começou a perceber que sua vida refletia a história de um personagem que ele mesmo havia criado anos atrás. Esse personagem, um viajante solitário chamado Rafael, também lutava contra suas próprias limitações e anseios. Miguel se deu conta de que, assim como Rafael, ele estava dividido entre o desejo de agradar os outros e a vontade de ser fiel a si mesmo. Uma noite, enquanto revisava o manuscrito, uma ideia ousada surgiu em sua mente: e se ele pudesse, de alguma forma, unir essas duas partes de sua vida? E se ele pudesse se tornar um personagem em sua própria história? Essa revelação acendeu uma faísca de criatividade que o impulsionou a escrever de maneira ainda mais intensa. Ele começou a criar diálogos entre o Miguel autor e o Rafael viajante, explorando suas diferenças e semelhanças.

 

**Capítulo 3:

A Jornada Interior**

 

A cada página escrita, Miguel começou a se sentir mais leve, como se estivesse se libertando de um peso que carregava há anos. Ele percebeu que a escrita não era apenas uma forma de contar histórias, mas uma maneira de se entender. Com cada palavra, ele se despedia de partes de si que não lhe serviam mais, e, ao mesmo tempo, abraçava novas facetas de sua identidade. Nesse processo, Miguel decidiu que era hora de se aventurar além de sua zona de conforto. Ele começou a viajar, explorando lugares que sempre sonhou conhecer. Em cada cidade, cada paisagem nova, ele encontrava não apenas inspiração, mas também um reflexo de sua própria jornada interna. O mundo exterior se tornava um espelho de suas emoções, e ele se sentia mais próximo de Rafael do que nunca.

 

**Capítulo 4:

A Conexão**

 

Durante suas viagens, Miguel conheceu pessoas que o ajudaram a entender ainda mais a complexidade da condição humana. Ele se sentou com artistas, filósofos e sonhadores, todos compartilhando suas histórias de luta e superação. Essas conversas enriqueceram sua escrita e permitiram que ele visse sua própria vida sob uma nova perspectiva. Certa vez, em uma pequena cidade costeira, ele se encontrou com uma mulher chamada Sofia, que também era escritora. Ao falarem sobre suas experiências, Miguel se abriu sobre suas inseguranças e medos. Sofia, com um olhar compreensivo, disse: "Às vezes, é preciso estar partido ao meio para se encontrar inteiramente. A beleza da vida está nas nossas fissuras." Essas palavras ecoaram na mente de Miguel e lhe deram uma nova compreensão sobre sua própria jornada.

**Capítulo 5:

 O Clímax**

 

De volta a casa, Miguel se dedicou a concluir seu livro. Ele entrelaçou sua narrativa com as lições aprendidas em suas viagens e as conversas que teve. "Partido ao Meio" interna de cada ser tornou-se uma reflexão profunda sobre a luta humano, uma busca por autenticidade em um mundo que muitas vezes pressiona para que sejamos algo que não somos. Ao finalizar o manuscrito, Miguel sentiu uma onda de alívio e gratidão. Ele percebeu que a verdadeira liberdade não estava em ser apenas um escritor, mas em ser completo em sua essência. No lançamento do livro, ele não apenas apresentou sua obra, mas também se apresentou ao mundo, finalmente em paz com as partes de si que antes pareciam irreconciliáveis.

 **Capítulo 6:

O Legado**

 

"Partido ao Meio" não se tornou apenas um sucesso literário, mas também um testemunho da jornada de Miguel. Ele começou a receber mensagens de leitores que se sentiram tocados por sua história. Através de sua escrita, ele inspirou outros a abraçar suas próprias dualidades e a encontrar beleza nas imperfeições. Miguel entendeu que, embora a vida possa nos partir ao meio, é nesse espaço entre os pedaços que encontramos nossa verdadeira força. E assim, ele continuou a escrever, a viajar e, acima de tudo, a viver plenamente, celebrando cada parte de sua história.

Comments